sábado, 9 de agosto de 2008

TURBULÊNCIA

eis-me aqui
tal
qual
não deveria.

as espadas repousando nas carraras frias
odiando o próprio ódio.

atento às faces obscuras
de um prazer insipto
sigo descendo
áspero
minha própria garganta.

meu vício
em minhas palávras:
tendões tremulam em tinta.

o pobre mapa desdefine o objeto-caminho
pois seu papel é bom apenas para a tristeza.

às águas da Guanabara
lanço palavreados
quais balas.

os pensamentos, lâminas,
me cortam a glote.
choro e sangro à inocencia
estupido
da minha nova morte.

(6/10 de agosto de 2008)

domingo, 3 de agosto de 2008

SAUDADE

saudade é um sopro









pra dentro
(maio/julho de 2008)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

cordão (à mãe)

voz de umbigo
nem fala.

Autora,
me disse mundo
sem fonemas.



(julho de 2008)

sábado, 26 de julho de 2008

janelas

nesse grito escrito, desaflijo.
escrevo e olho
mesmo não estando.

nesse grito escrito clamo asas
ou tempos
- eu em pés de mim mesmo não estou bastando.

à janela acesa de um museu meu olhar dirijo e vejo dois morcegos rangerem um vôo manso
enquanto a flauta que escuto desafina.

da janela apagada na janela acesa
caminho parado

lembrando da boca úmida que água a minha
dos olhos doces nos quais sou menina.

(junho de 2008)

condução

minha memória me abre sorrisos
com o tempo de passar por baixo da roleta.

a criança que vejo hoje
é ontem.

(09 de abril de 2008)

sobre a poesia e a bosta

sobre a poesia e a bosta:

o ato de cagar
é poesia.

despe-se das insignificâncias
de início.
não interessam para nada.

o cérebro vira estômago -
que é onde borboleteiam os sentimentos -
até o corpo
as entranhas do corpo
explodirem
lançando ao mundo o que desgrada
todo o mundo.
mas, para o autor
é alívio.

(março / julho de 2008)

A GRANDE POESIA:

'




ser-se




(09 de abril de 2008)