quarta-feira, 30 de julho de 2008

cordão (à mãe)

voz de umbigo
nem fala.

Autora,
me disse mundo
sem fonemas.



(julho de 2008)

sábado, 26 de julho de 2008

janelas

nesse grito escrito, desaflijo.
escrevo e olho
mesmo não estando.

nesse grito escrito clamo asas
ou tempos
- eu em pés de mim mesmo não estou bastando.

à janela acesa de um museu meu olhar dirijo e vejo dois morcegos rangerem um vôo manso
enquanto a flauta que escuto desafina.

da janela apagada na janela acesa
caminho parado

lembrando da boca úmida que água a minha
dos olhos doces nos quais sou menina.

(junho de 2008)

condução

minha memória me abre sorrisos
com o tempo de passar por baixo da roleta.

a criança que vejo hoje
é ontem.

(09 de abril de 2008)

sobre a poesia e a bosta

sobre a poesia e a bosta:

o ato de cagar
é poesia.

despe-se das insignificâncias
de início.
não interessam para nada.

o cérebro vira estômago -
que é onde borboleteiam os sentimentos -
até o corpo
as entranhas do corpo
explodirem
lançando ao mundo o que desgrada
todo o mundo.
mas, para o autor
é alívio.

(março / julho de 2008)

A GRANDE POESIA:

'




ser-se




(09 de abril de 2008)

12-08

pressinto: hoje é dia de poemas.

a tristeza me namora
o coração cala de angústia
o peito dói de existir.

não há pensamento sereno
beijos de batom brilhoso
ou confissões que ardem baixo às cobertas.

hoje sou.
e só.
poeeeta que dá gosto.

(12 de junho de 2008)

sem-quando

uma sem-quando mostrou-me meu triste:
"qual é dessa perfeição
se só existe perfeição
no imperfeito?"

vi.

enxerguei-me automóvel indo,
na estrada que é livre,
semafórico.

não houve jeito:
entreguei-me ao tempo
dos sem-quandos.

(22 de março de 2008)