segunda-feira, 20 de julho de 2009

MEIO (aos meus 25 anos)

sinto-me arredondado.
algo 
entre vinte e trinta.

cheguei aqui.

e não sei bem aonde é isto... 


AQUI: um meio do caminho.

meio da migração.
meio do movimento.
meio da andança.
meio desligado.

o fim de um começo.

(15 de julho de 2009)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Barrosinho

som.
desdefine-se som
e som.

Eis uma palavra
que é.
"som"

e bem como a palavra,
a pessoa.
também ele foi.
Som.
é.

dos lábios, não mais que o som.
dos olhos, não mais que o som.
do pensamento, não mais que o pensamento.

de mim, lágrimas.
e, como não haveria de deixar de ser,
som.

Percebo-me em som de silêncio.
em som de lágrimas colcheias escorridas pra dentro,
numa incompreensível paisagem clavada em sol.
e o sol arde.
a saudade arde.
a distância arde.

fico à vontade com a vontade
de estar som
pela primeira vez.
de encontrar aquele que foi som
em mim que não sou -
mas que, quem sabe, ainda possa soar nos pistos
a música de um encontro.

12 de março de 2009

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

UM TRIZ

pensamentos de morte
vindos da não-vontade.

sou feliz
e, no entanto,
triste.

a tristeza é quase biológica. quase genética.
quase o eu.

meu peito comprime e o amor não entende.
jamais entenderá.
nunca verá que o meu eu é triste
feio
murcho
sem graça
desesperançoso
camuflado em sorrisos.


(19 de dezembro de 2008)

sábado, 9 de agosto de 2008

TURBULÊNCIA

eis-me aqui
tal
qual
não deveria.

as espadas repousando nas carraras frias
odiando o próprio ódio.

atento às faces obscuras
de um prazer insipto
sigo descendo
áspero
minha própria garganta.

meu vício
em minhas palávras:
tendões tremulam em tinta.

o pobre mapa desdefine o objeto-caminho
pois seu papel é bom apenas para a tristeza.

às águas da Guanabara
lanço palavreados
quais balas.

os pensamentos, lâminas,
me cortam a glote.
choro e sangro à inocencia
estupido
da minha nova morte.

(6/10 de agosto de 2008)

domingo, 3 de agosto de 2008

SAUDADE

saudade é um sopro









pra dentro
(maio/julho de 2008)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

cordão (à mãe)

voz de umbigo
nem fala.

Autora,
me disse mundo
sem fonemas.



(julho de 2008)

sábado, 26 de julho de 2008

janelas

nesse grito escrito, desaflijo.
escrevo e olho
mesmo não estando.

nesse grito escrito clamo asas
ou tempos
- eu em pés de mim mesmo não estou bastando.

à janela acesa de um museu meu olhar dirijo e vejo dois morcegos rangerem um vôo manso
enquanto a flauta que escuto desafina.

da janela apagada na janela acesa
caminho parado

lembrando da boca úmida que água a minha
dos olhos doces nos quais sou menina.

(junho de 2008)